domingo, 13 de outubro de 2013

Energia Eólica Residencial

A questão energética cada vez mais será  abordada, tendo entre os vários motivos, a crescente necessidade por mais energia, o impacto ambiental das fontes energéticas já existentes e das novas fontes energéticas que ainda estão por vir.
Neste sentido, conforme já falamos neste blog, vem a crescente onda baseada na energia eólica e solar.
E acompanhando esta tendência surge a possibilidade do uso residencial de fontes de energia solar e eólica principalmente para um consumo auto-suficiente.
Para quem não conhece, vejam as fotos e o vídeo abaixo.
A todos uma boa semana!






domingo, 8 de setembro de 2013

Uma amostra do caminho que temos pela frente...

Segue na íntegra matéria da exame.com que revela que menos de 2% dos resíduos sólidos são efetivamente reciclados, o que é por si só um desperdício e com certeza uma prova relevante que há um grande caminho a seguir tanto pela sustentabilidade econômica, quanto ambiental.

Um grande abraço e uma boa semana!



Menos de 2% dos resíduos sólidos são reciclados

Brasil perde R$ 8 bilhões por ano por não reciclar e enterrar resíduos que poderiam ser reaproveitados, segundo cálculos do Ipea

Akemi Nitahara, da 

Roosewelt Pinheiro/ABr
Lixão
Material que poderia ser reciclado vai parar em lixõesRio de Janeiro – Mesmo com 60% dos municípios do país tendo alguma iniciativa de coleta seletiva, a quantidade de resíduo sólido urbano que de fato retorna à cadeia produtiva não chega a 2%. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2012, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 51,4% do material coletado são matéria orgânica; 13,5% são plástico; 13,1% são papel, papelão e tetra pak; 2,9% são metais; 2,4% dos resíduos são vidro; e 16,7% são outros materiais.1.292 no setor de embalagens. Dessas, 47% são recicladas - incluindo 20% de embalagens retornáveis -, 33% reutilizados e 20% vai parar em aterros e lixões.
No setor de vidros, o dado mais recente é de 2008, quando a capacidade de produção instalada era 3 mil toneladas, sendo 1,29 mil no setor de embalagens. Dessas, 47% são recicladas - incluindo 20% de embalagens retornáveis -, 33% reutilizadas e 20% vão parar em aterros e lixões.
O gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Ronaldo Hipólito, explicou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos não prevê prazo para implantar a coleta seletiva e a reciclagem dos materiais.
“Nós colocamos metas no plano nacional: para 2015 uma quantidade de reciclagem e outra para 2019. Para os resíduos úmidos tem a compostagem, a biodigestão. Mas nós estamos trabalhando tudo paralelamente, porque não pode fechar primeiro o lixão para depois fazer a reciclagem”, disse Hippólito. Em tese, na hora de se fechar um lixão e colocar em funcionamento um aterro sanitário, onde só poderá ser depositado rejeito, obrigatoriamente terá que haver a coleta para retirar a parte que não deve ser enterrada, acrescentou.
Quanto às cooperativas de catadores, Hipólito disse que foi criado um comitê interministerial para analisar essa inclusão socioeconômica. Já foram organizadas cerca de 200 cooperativas, das 1.300 que o ministério estima existirem no Brasil. Também foi lançada uma campanha educativa sobre a importância da separação dos resíduos.
“Nós solicitamos ao Ipea, em 2010, um estudo sobre quanto o Brasil perde ao ano por não reciclar, por enterrar as coisas que poderiam ser reaproveitadas, e o Ipea chegou ao número de R$ 8 bilhões por ano. É muito dinheiro. Essa propaganda institucional que nós fizemos e pretendemos voltar esse ano a falar sobre o assunto, serve para conscientizar as pessoas sobre a importância que tem isso para a economia como um todo”, disse o técnico do Ministério do Meio Ambiente.
De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o governo do Rio de Janeiro tem apoiado as prefeituras para iniciar os projetos de coleta seletiva. “Os municípios tem que ter uma equipe para isso, tem que ter uma campanha de comunicação, tem que escolher alguns bairros para fazer um projeto piloto, não é uma coisa científica, é erro e acerto”.
O superintendente de Políticas de Saneamento da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), Victor Zveibil, explicou que 17 municípios, dos 92 do estado, começaram a implantar programas de coleta seletiva, entre eles Mesquita, Petrópolis e Niterói. Além disso, o governo lançou o Programa Catadores e Catadoras em Rede Solidária. “É um programa que a secretaria está iniciando em parceira com o Ministério do Trabalho e Emprego, que tem essa missão de reforçar as cooperativas e trabalhar a questão da comercialização, de uma rede de cooperativas para a reciclagem e para a comercialização. Esse levantamento já foi feito em 41 municípios”.
Por mês, são recolhidas na capital 936 toneladas de material reciclável, dos 150 mil toneladas de lixo da coleta domiciliar. O material é destinado a cerca de 50 cooperativas cadastradas na Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). O engenheiro Mauro Wanderley Lima, da Diretoria Técnica e de Logística, lembrou que a coleta seletiva depende da colaboração da população. “A ideia é atingir todos os bairros do Rio até 2016. Agora, precisamos da colaboração da população e é uma coleta mais cara, porque você não pode comprimir o material, não pode ser misturado. O ideal é que você terminar de usar a lata de molho de tomate, o iogurte, dê uma lavadinha e entregue para a reciclagem”.
A coordenadora do Movimento Nacional dos Catadores no Estado do Rio de Janeiro, Claudete Costa, ponderou que a situação de muitos catadores é precária. “Eu continuo trabalhando com o pessoal na rua, a gente cata o material, junta no “burrinho sem rabo” - carroça manual -, vê um local estratégico para fazer a triagem rapidamente e nem todo o material a gente tem tempo de juntar para reciclar, só o que está em alta no mercado”. Ela acrescentou que os catadores interrompem o trabalho às 15h quando passa o caminhão da Comlurb.
De acordo com ela, as cooperativas beneficiadas pela coleta seletiva estão em situação melhor, mas ainda há cerca de 240 famílias trabalhando no aterro controlado de Gericinó, que vai fechar até o fim do ano. “Então está no mesmo trâmite que eu, daqui a pouco estão na rua. O pessoal quase não tem mais acesso como tinha antes. Poucas famílias estão sendo beneficiadas, porque está indo tudo para [o aterro sanitário de] Seropédica”.
Claudete reclama que falta apoio da prefeitura para trabalhar. “Falta tudo, da estrutura do galpão, maquinário, para a coleta seletiva. Tem muitas cooperativas que estão na rua, tem muitas que estão em galpão alugado”.
A SEA anunciou que “em breve” será inaugurado o Polo de Reciclagem de Gramacho, que vai aproveitar a mão de obra dos cerca de 400 catadores que atuavam no aterro controlado de Gramacho, fechado no ano passado.

sábado, 31 de agosto de 2013

Edifícios Verdes certificados - Vale a pena construir?

A grande pergunta quando se fala sobre o conceito de edifícios verdes, com um melhor uso de água e energia, com certeza é: vale a pena? É viável?
De acordo com estudos recentes, inclusive publicados na revista Guia de Sustentabilidade Meio Ambiente, sem dúvida vale a pena.
Os custos estimados voltados para construção de um edifício verde seriam entre 2 a 7% mais altos que de uma construção normal. Entretanto, de acordo com os mesmos estudos, a economia de água atingiria 50%, sem contar com a economia também de luz, que estaria por volta de 30%.
O Brasil atualmente é o quarto maior certificador do mundo de edifícios verdes, atrás somente de Estados Unidos, China e Emirados Árabes. Um dos principais certificadores é o Green Building Concil, que avalia  no procedimento de certificação os seguintes itens:



Sustainable sites (Espaço Sustentável) – Encoraja estratégias que minimizam o impacto no ecossistema durante a implantação da edificação e aborda questões fundamentais de grandes centros urbanos, como redução do uso do carro e das ilhas de calor.
Water efficiency (Eficiência do uso da água) – Promove inovações para o uso racional da água, com foco na redução do consumo de água potável e alternativas de tratamento e reuso dos recursos.
Energy & atmosphere (Energia e Atmosfera) – Promove eficiência energética nas edificações por meio de estratégias simples e inovadoras, como por exemplo simulações energéticas, medições, comissionamento de sistemas e utilização de equipamentos e sistemas eficientes.
Materials & resources (Materiais e Recursos) - Encoraja o uso de materiais de baixo impacto ambiental (reciclados, regionais, recicláveis, de reuso, etc.) e reduz a geração de resíduos, além de promover o descarte consciente, desviando o volume de resíduos gerados dos aterros sanitários.
Indoor environmental quality (Qualidade ambiental interna)– Promove a qualidade ambiental interna do ar, essencial para ambientes com alta permanência de pessoas, com foco na escolha de materiais com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis, controlabilidade de sistemas, conforto térmico e priorização de espaços com vista externa e luz natural.
Innovation in design or innovation in operations (Inovação e Processos) – Incentiva a busca de conhecimento sobre Green Buildings, assim como, a criação de medidas projetuais não descritas nas categorias do LEED. Pontos de desempenho exemplar estão habilitados para esta categoria.
Regional priority credits (Créditos de Prioridade Regional) – Incentiva os créditos definidos como prioridade regional para cada país, de acordo com as diferenças ambientais, sociais e econômicas existentes em cada local.. Quatro pontos estão disponíveis para esta categoria.


  • Mais uma vez fica a ideia: viabilidade econômica existe, inclusive com benefícios econômicos para os futuros proprietários destes empreendimentos. Além de uma estratégia de marketing é a garantia de um cliente satisfeito com economia de gastos mensais, além de contribuir com o Meio Ambiente.
    Um grande abraço e bom final de semana!

domingo, 25 de agosto de 2013

A Política Nacional de Resíduos Sólidos e os catadores

A Política Nacional de Resíduos sólidos trabalhou um aspecto não apenas ambiental, como também social: os catadores.
Tão importantes na função de coletar o lixo, e principalmente no que se propõe a nova lei, que é a seletividade para fins de reciclagem. Num pais onde vivemos ainda uma realidade de lixões e com a falta de consciência de boa parte da população sobre a coleta seletiva dos resíduos, o catador é elemento essencial quando se trata reciclagem ou até mesmo de um destino adequado aos rejeitos orgânicos (aterro sanitário e compostagem).

Aos poucos a realidade social está mudando, devido às exigências oriundas da referida lei. Pouco a pouco estão surgindo mediante apoio de empresas e sindicatos cooperativas de catadores, auxiliando a questão ambiental e social de diversas maneiras: para empresa o contato é feito diretamente com a cooperativa, sendo os catadores cooperados e não empregados. Para os catadores, é possível regular os preços de maneira que seja benéfica a coletividade da cooperativa, melhorando o aspecto social da vida destes catadores.
Melhores condições de vida, uma coleta mais efetiva, um modo de se fazer o processo diferente. É isso que se traz quando se para de tratar o catador individualmente para observa-lo em cooperativa, devidamente organizado, dando condições de trabalho como os carros elétricos da foto acima. É a mudança, não só social, como ambiental, benéfica a todos!
Tenham uma boa semana!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Carros elétricos: quando chegará no Brasil?

O pensamento pelo Meio Ambiente e a sustentabilidade caminham rumo a um sentido: o uso de recursos renováveis, com menor impacto ambiental, contudo, sendo viável também economicamente.
Neste sentido, vemos uma onda de instalações sobretudo na Europa e na Asia de usinas eólicas e solares. Todavia, nos carros esta realidade não é diferente.
Ao contrário do Brasil, que é um país auto-suficiente e também exportador de petróleo, nos demais países está havendo um grande aumento no mercado de carros elétricos. Vou dar alguns exemplos através dos vídeos abaixo:


- Mercedes SLS: o carro elétrico mais potente atualmente:




- Novo BMW elétrico também: concorrentes, com carros elétricos para vários preços e gostos.



Contudo devemos admitir: esta realidade está muito distante do cenário nacional, mas porque. Entre vários problemas devemos dizer que não é interessante a produção de carros elétricos, que não consomem gasolina, nem alcool, tão pouco biodiesel, em um país que investe no crescimento e exploração destes combustíveis. Por isso a carga tributária, sobretudo o ICMS e IPI (entre outros) é muito maior em um carro elétrico do que em outro carro ordinariamente normal.
Vejam esta matéria do jornalista André Trigueiro sobre o tema:








domingo, 4 de agosto de 2013

Fazendas Verticais

Economia e tecnologia a serviço do Meio Ambiente. Quando se fala em preservação e principalmente em sustentabilidade é nisso que estamos falando: defender o Meio Ambiente de forma que isso possa ser viável também economicamente e que sirva de incentivo para que sejam tomadas soluções análogas.
No link da Exame Meio Ambiente é possível verificar 11 incríveis projetos de fazendas verticais, que nada mais são do que prédios que contemplam diversas iniciativas de preservação ambiental, desde aproveitamento da água da chuva, energia solar e eólica até mesmo o cultivo de plantas e frutos.
Estes projetos representam a importância do Meio Ambiente na Engenharia Civil e nos empreendimentos imobiliários num futuro próximo. Cada um poderá morar ou trabalhar em um ambiente autosuficiente em energia, com pouco uso de água e com certeza, comendo alimentos melhores, valorização da saúde e do bem estar, respirando melhor e com consciência e educação ambiental.







sexta-feira, 26 de julho de 2013

Revolução da Energia

Amigos do blog!
A mudança no campo da energia já não é mais utopia, mas pura realidade.
Não há apenas a mudança relacionada ao uso e escolhas do país por disseminar PCH's e hidroelétricas. Belo Monte nada mais é do que a prova do declínio deste modelo. Para entender mais sobre Belo Monte, veja o vídeo abaixo:


Já é o presente a mudança do modelo de geração de energias no país. Novas formas de energia renovável, sobretudo a eólica e solar passarão a ser tornar os novos modelos a serem seguidos. Diferentemente das hidroelétricas, ambos os modelos possuem nível de impacto ambiental consideravalmente menor. Contudo, até um passado recente, tal modelo se mostrava muito oneroso.

Porém, devido a novas tecnologias, bem como a iniciativa privada estão tornando aos poucos acessível e popular ambos os modelos de energia. No link abaixo, em matéria da exame, vamos mais além no tocante a esta verdadeira revolução energética, tornando o consumidor da energia, a escolher livremente a energia que deseja utilizar, estando esta exposta em sites, de maneira tão fácil e acessível quanto a uma passagem de avião.http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/sustentabilidade/noticias/sites-viram-alternativa-para-vendas-de-energia-solar?page=1

Vem aí uma revolução em boa hora, por um direito de consumidor mais efetivo, e por um desenvolvimento sustentável, sem deixar de contemplar aspectos de liberdade econômica.
















domingo, 21 de julho de 2013

Olá a todos! 
  Permita-me hoje fazer algumas considerações.
 Muito tem se falado sobre o Meio Ambiente na atualidade, e muitas são as "soluções"para o "problema"ambiental. As aspas colocadas, não refletem ironia, mas sim o subjetivismo que possui a matéria ao tentar estabelecer um padrão. 
  Desde 72 em Estocolmo, quando podemos atribuir o início da conscientização ambiental em âmbito mundial, que tem surgido várias vertentes, como formas diferentes de enxergar o problema ambiental e propor soluções para esclarecer e tornar o Meio Ambiente mais sadio e equilibrado a todos. Muitas destas soluções estão misturadas a convicções políticas ou conveniências econômico/sociais.
  Por outro lado, as dificuldades em se estabelecer um padrão são muito difíceis, senão praticamente impossíveis: Sob o prisma internacional, tratam-se de políticas e visões econômicas totalmente distintas, bem como países com cenários antagônicos, desde aqueles com grande extensão territorial e diversidade ambiental, como é o caso do Brasil, até países como Japão por exemplo, composto de alto índice demográfico, incapaz de destinar parte de seu território para uma preservação sustentável do Meio Ambiente, como acontece aqui em nosso país.
  Considerando todos os problemas envolvendo a questão ambiental no Mundo, precisamos, acima de tudo, fazer nossa parte na preservação dos recursos naturais, achando uma forma sustentável de desenvolvimento econômico, político e social, preservando o Meio Ambiente.

  Esse é o caso de Ray Anderson, CEO de uma fábrica de carpetes, que encarou a mudança de visão e hoje ostenta e se destaca enquanto uns dos CEOs mais verdes do Mundo.
Vale a pena conferir!!!!


sexta-feira, 19 de julho de 2013



Desertificação já atinge uma área de 230 mil km² no Nordeste

Mapeamento feito por satélite feito pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas lança alerta para o fenômeno.
Como se não bastasse a falta de chuvas, o Brasil vê se alastrar no Nordeste um fenômeno ainda mais grave: a desidratação do solo a tal ponto que, em última instância, pode torná-lo imprestável. Um novo mapeamento feito por satélite pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas (Lapis), que cruzou dados de presença de vegetação com índices de precipitação ao longo dos últimos 25 anos, até abril passado, mostra que a região tem hoje 230 mil km² de terras atingidas de forma grave ou muito grave pelo fenômeno.
A área degradada ou em alto risco de degradação é maior do que o estado do Ceará. Hoje, o Ministério do Meio Ambiente reconhece quatro núcleos de desertificação no semiárido brasileiro. Somados, os núcleos de Irauçuba (CE), Gilbués (PI), Seridó (RN e PB) e Cabrobó (PE) atingem 18.177 km² e afetam 399 mil pessoas.
Num artigo assinado por cinco pesquisadores do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), do Ministério da Ciência e Tecnologia, são listados seis núcleos, o que aumenta a área em estado mais avançado de desertificação para 55.236 km², afetando 750 mil brasileiros.
Os dois núcleos identificados pelos pesquisadores do Insa são o do Sertão do São Francisco, na Bahia, e o do Cariris Velhos, na Paraíba, estado que tem 54,88% de seu território classificado em alto nível de desertificação.
Trata-se de um prolongamento que une o núcleo do Seridó à microrregião de Patos, passando pela dos Cariris Velhos. Apenas na microrregião de Patos, 74,99% das terras estão em alto nível de desertificação, segundo dados do Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca da Paraíba.
- A degradação do solo é um processo silencioso – afirma Humberto Barbosa, professor do Instituto de Ciências Atmosféricas e coordenador do Lapis, responsável pelo estudo. – No monitoramento por satélite fica evidente que as áreas onde o solo e a vegetação não respondem mais às chuvas estão mais extensas. Em condições normais, a vegetação da Caatinga brota entre 11 e 15 dias depois da chuva. Nestas áreas, não importa o quanto chova, a vegetação não responde, não brota mais.
Estão em áreas mapeadas como críticas de desertificação municípios como Petrolina, em Pernambuco, que tem mais de 290 mil habitantes, e Paulo Afonso, na Bahia, com 108 mil moradores. Barbosa explica que a desertificação é um processo longo e a seca agrava a situação. Segundo ele, em alguns casos, a situação é difícil de reverter.
Na Bahia, numa extensão de 300 mil km² no Sertão do São Francisco, os solos já não conseguem reter água. Na região de Rodelas, no Norte do estado, formou-se, a partir dos anos 80, o deserto de Surubabel.
Numa área de 4 km², ergueram-se dunas de até 5 metros de altura. Segundo pesquisadores, a área foi abandonada depois da criação da barragem da hidrelétrica de Itaparica, usada para o pastoreio indiscriminado de caprinos e, por fim, desmatada. O solo virou areia. O rio, que era estreito, ficou largo, e o grande espelho d’água deixou caminho livre para o vento.
- Não existe dúvida de que o processo de degradação ambiental é grave e continua aumentando – desabafa Aldrin Martin Perez, coordenador de pesquisas do Insa. – A população aumentou, o consumo aumentou. Há consequências políticas, sociais e ambientais. Se falassem do problema de um banco, todos estariam unidos para salvá-lo. Como não é não estão nem aí.
No Sul do Piauí, onde fica o núcleo de Gilbués, são 15 os municípios atingidos. Nos sete em situação mais grave, segundo dados do governo do estado, a desertificação atinge 45% do território de cada um.
Em Gilbués, uma fazenda modelo implantada pelo governo do estado conseguiu recuperar o solo e fazer florescer milho. Todos os anos se comemora ali a festa do milho, mas a experiência de recuperação é limitada. Hoje, 10,95% das terras do Sul do estado apresentam graus variados de desertificação.
Em Alagoas, estudos apontam que 62% dos municípios apresentam áreas em processo de desertificação, sendo os níveis mais graves registrados nos municípios de Ouro Branco, Maravilha, Inhapi, Senador Rui Palmeira, Carneiros, Pariconha, Água Branca e Delmiro Gouveia.
A cobertura florestal do estado é tão baixa que Francisco Campello, responsável pelo programa de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente, chegou a dizer que, se fosse uma propriedade, Alagoas não teria os 20% de reserva legal.

Degradação intensa

A seca no Nordeste sempre existiu. O que está em jogo agora não é só a falta de chuva, mas a degeneração da terra. O solo frágil exige preservação da vegetação de caatinga e técnicas de manejo, inclusive de pastoreio.
Mas 30% da energia consumida no Nordeste vem da lenha, e o que queima é a mata nativa. Segundo relatório do governo do Rio Grande do Norte, que divide com a Paraíba o núcleo de desertificação do Seridó, além da retirada de lenha, a degradação vem do desmate para abrir espaço para agricultura, pecuária, mineração e extração de argila do leito de rios para abastecer a indústria de cerâmica.
Ao comparar estudos de 1982 e 2010, os especialistas chegaram à conclusão que se passaram 28 anos de intensa degradação sem que a situação se alterasse. A indústria de cerâmica segue como principal fonte de renda e emprego.
Pelo menos 104 empresas competem pela argila para fabricar telhas e tijolos. Dos seis municípios do Núcleo de Desertificação, cinco fazem parte do Polo Ceramista do Seridó e abrigam 59 empresas do setor.
- O Brasil ainda trata a seca como se fosse o Zimbábue ou outros países muito pobres da África – afirma Barbosa. – Isso não é aceitável. Temos pesquisa, técnicas e ferramentas para evitar que a degradação aconteça. Os políticos tratam a seca em ciclos de quatro anos, que é a duração de seus mandatos. Se nada acontecer, as pessoas dos municípios atingidos pela desertificação vão migrar para grandes centros, gerando outros problemas.
Em Gilbués, as crateras abertas no solo, conhecida como voçorocas, compõem uma paisagem chocante. Mas os locais onde não surgem fendas na terra expostas são ainda mais preocupantes.
Ano após ano, as pessoas não percebem que a vida do solo está se esvaindo. Somente ao cavar fendas é que se percebe que o solo está cada vez mais raso e a camada de vida, que são os 5 cm mais próximos à superfície, está mais estreita ou quase inexiste.
A perda de fertilidade se alastra também por parte de Minas Gerais e por áreas do Rio Grande do Sul, onde há o fenômeno denominado arenização – não é desertificação porque esta pressupõe escassez de chuva e aridez, o que não ocorre por lá.
Em Minas, a área de maior risco envolve 69 mil km² em 59 municípios no Norte, Jequitinhonha e Mucuri. Em documento entregue ao Ministério do Meio Ambiente, o governo de Minas calculou em R$ 1,29 bilhão o custo de projetos de prevenção.
- O problema é que os solos estão sendo compactados – diz Afrânio Righes, ex-chefe do Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e professor de engenharia ambiental do Centro Universitário Franciscano (Unifra), em Santa Maria (RS). – O solo já não age como uma esponja, absorvendo a chuva. Com o plantio direto, sem aragem da terra, e o uso de grandes máquinas na lavoura, a água não infiltra, escorre sobre a superfície e se perde. Os impactos da estiagem aumentam, porque há pouca água acumulada na terra. Por isso, é preciso cavar sulcos na terra, a cada 10 metros, para forçar a infiltração. Como não existe máquina adequada para isso, os agricultores não o fazem.
Em Minas, vegetação e terra sofrem com queimadas frequentes, destruição de matas que protegem nascentes, assoreamento de rios e até irrigação, que capta água em excesso, comprometendo cursos d’água e causando salinização do solo.
No Rio Grande do Sul, a ânsia de unir criação de gado e plantio de soja, em busca de lucros maiores, saturou o solo na região de Alegrete, resultando na arenização. Sobrou o “deserto de São João”.
- O solo não era propício para a soja e a camada orgânica se foi em pouco tempo – explica Righes. – Ficou areia pura e, com o vento, ela não parava de avançar.
A solução encontrada pelos gaúchos para barrar o deserto surgido nos pampas foi plantar eucalipto no entorno da área, criando uma cortina de contenção dos ventos.
- A mudança climática tem peso importante nos processos de desertificação – afirma Manuel Otero, representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). – Mudou a sequência e intensidade das chuvas. Há menos água disponível. E mais degradação ambiental significa mais pobreza.
Para Otero, a boa notícia é que o ciclo vicioso pode ser quebrado. Com apoio da União Europeia, o instituto levou para o município de Irauçuba técnicas e ações para impedir que a desertificação se alastre. O coordenador de Recursos Naturais e Adaptação às Mudanças Climáticas do IICA, Gertjan Beekman, afirma que técnicas simples, como barramento da água, já deram resultado no município de Canindé.
Nascentes que estavam secas oito anos atrás ressurgiram – comemora Beekman. – Isso mostra que é possível reverter esse processo.
Na Argentina, 70% a 80% da superfície do país são vulneráveis à desertificação, principalmente ao Norte. No Brasil, toda a região do semiárido é considerada área suscetível. Segundo Perez, do Insa, não existe um único modelo ou indicador padronizado para determinar a extensão das terras em processo de desertificação no país.
Não há no Brasil monitoramento sistêmico, apenas estudos pontuais – diz o pesquisador. – A sensibilização não é algo imediato. É preciso estimular as pessoas a olharem com outro olhar e reconstruir a memória intergeracional. A própria sede da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas fica na Alemanha, onde não há o problema.

Fonte: Eco Debate 11/07/2013. 







Cresce uso de plástico renovável e comercial


Empresas que adotam embalagens que reduzem a dependência de combustíveis fósseis.
A garrafa de bioplástico da Coca-Cola é a primeira garrafa PET reciclável feita parcialmente a partir de plantas
Os bioplásticos chegaram. Nos últimos anos empresas multinacionais -- incluindo a Coca-Cola, Ford, Danone, Procter & Gamble, Kimberly Clark, Michelin e AT&T -- se engajaram na revolução verde. E a cana-de-açúcar brasileira é a principal matéria-prima desta revolução sendo usada não só em garrafas e fraldas, mas também em borrachas renováveis.
A Coca-Cola foi a primeira. Quando a empresa estava pesquisando por novos materiais, queria se certificar que escolheria um produto de fato melhor para meio-ambiente e para a sociedade. ”Ao escolher a cana estávamos construindo uma cadeia de suprimento eficiente globalmente”, diz Scott Vitters, diretor da companhia, que espera ampliar a produção de garrafas de bioplástico nos próximos anos.
A garrafa de bioplástico da Coca-Cola é a primeira garrafa PET reciclável feita parcialmente a partir de plantas. E tão logo, a Coca-Cola começou a produzir garrafas PET de plástico de cana, a H.J. Heinz também estreou com uma garrafa PET sustentável de ketchup. O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar é reconhecido como biocombustível avançado pela Agência Ambiental dos Estados Unidos.
Em 2010 a Procter & Gamble também começou a usar derivados de plásticos produzidos a partir da cana de açúcar nas embalagens de Pantene,Pro-V e nos produtos da marca Max Factor. Além disso, a Michelin Pneus está trabalhando numa pesquisa na Califórnia em parceria com a empresa Amyris para substituir parte do petróleo usado na fabricação de pneus e está usando cana brasileira para produzir borracha sustentável para pneus. A Goodyear também faz pesquisas na mesma linha.
As novas garrafas do iogurte Actimel também foram feitas com 95% de bioplástico e a AT&T – empresa do segmento de telecomunicações -- adotou os plásticos verdes para suas embalagens a fim de se tornar mais ecológica e reduzir o impacto que causa ao meio-ambiente. “Estamos felizes em ser a primeira companhia norte-americana de telecomunicações a usar bioplásticos em nossas embalagens e esperamos que outras companhias se juntem a nós encontrando caminhos para reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis”, diz Jeff Bradley, vice-presidente sênior da AT&T.

 Fonte: Globo Rural 30/06/2013.